terça-feira, 8 de setembro de 2009

Porquê o individuo engorda?





Porquê o individuo engorda?


A obesidade é o maior problema de saúde da atualidade e atinge indivíduos de todas as classes sociais, tem etiologia hereditária e constitui um estado de má nutrição em decorrência de um distúrbio no balanceamento dos nutrientes, induzindo entre outros fatores pelo excesso alimentar. O peso excessivo causa problemas psicológicos, frustrações, infelicidade, além de uma gama enorme de doenças lesivas. O aumento da obesidade tem relação com: o sedentarismo, a disponibilidade atual de alimentos, erros alimentares e pelo próprio ritmo desenfreado da vida atual. A obesidade relaciona-se com dois fatores preponderantes: a genética e a nutrição irregular. A genética evidencia que existe uma tendência familiar muito forte para a obesidade, pois filhos de pais obesos tem 80 a 90% de probabilidade de serem obesos.
A nutrição tem importância no aspecto de que uma criança superalimentada será provavelmente um adulto obeso. O excesso de alimentação nos primeiros anos de vida, aumenta o número de células adiposas, um processo irreversível, que é a causa principal de obesidade para toda a vida. Hoje, consumimos quase 20% a mais de gorduras saturadas e açúcares industrializados

Quando o assunto é direcionado para quais os alimentos que engordam, verifica-se de imediato a presença dos carboidratos e dos lipídios.
Para cada um deles, deve-se observar uma importante função como fonte energética, numa dieta humana:
Os Carboidratos, constituem a principal fonte energética da dieta humana e fornecem 4 Kcal por grama. Exemplos de carboidratos presentes nos alimentos: glicose, frutose, lactose, sacarose, amido. Estes são fundamentais como fonte de calorias e não podem ser substituídos por outros nutrientes.
Os Lipídios, ou gorduras atuam como fonte energética concentrada, pois fornecem 9 Kcal por grama. Estes são encontrados em grande quantidade nos alimentos, especialmente em forma de triglicerídeos. A ingestão de lipídios requer equilíbrio entre o seu consumo e as necessidades do organismo. O excesso de gordura nos indivíduos adultos pode provocar importantes alterações do perfil lipídico e, conseqüentemente, aumento do risco cardiovascular.

Fome x Saciedade

É importante salientar a existência de um mecanismo responsável pela sensação de fome e saciedade, atuantes em todo o processo alimentar.
Os mecanismos que participam na regulação da ingestão de alimentos são: o hormonal (insulina, grelina e leptina), o metabólico (glicemia) e o neural (hipotálamo e outras regiões do Sistema Nervoso Central).
O hipotálamo é uma região do cérebro onde se encontram os centros da fome e da saciedade. Quando as reservas nutritivas do organismo de um indivíduo caem abaixo do normal, o centro da alimentação no hipotálamo fica muito ativo e ocorre o aumento da fome; por outro lado, quando as reservas nutritivas são abundantes, a pessoa perde a fome (estado de saciedade).
Tanto as informações de fome como as de saciedade são transmitidas através de impulsos nervosos entre os neurônios no cérebro, envolvendo a participação de muitos neurotransmissores (serotonina, noradrenalina, dopamina). E é sobre a transmissão neuronal que ocorre a atuação dos fármacos anorexígenos e sacietógenos.
A obesidade pode aumentar o risco da pessoa desenvolver várias condições, como diabete, pressão alta, doenças do coração e algumas formas de câncer. Muitos riscos à saúde são mais frequentes nas pessoas obesas, e os riscos podem aumentar com o grau de aumento da obesidade.
O que o indivíduo precisa, é buscar uma mudança no estilo de vida, pois os fatores comportamentais desempenham, de longe, o papel mais importante no emagrecimento.


Referências:

Cartilha da Medley disponivel em: www.eupossomesmo.com.br

domingo, 6 de setembro de 2009

CÚRCUMA


A cúrcuma, planta ramificada, originária da Índia, onde sua raíz apresenta a cor amarela internamente e branca externamente, espécie originária do Sudeste asiático, considerada uma especiaria. O pó obtido pela moagem da cúrcuma é utilizado como condimento e corante para alimentos. Além de sua principal utilização como condimento, óleos essenciais de excelentes qualidades organolépticas, possui também substâncias antioxidantes auxiliando no combate a radicais livres, possui ação antimicrobiana e corantes, estendendo com isso sua utilização no mercado condimentar e alimentício, tendo sua participação, como por exemplo, em amidos para confecções de bolos, como corante em molhos, queijos, ovos, peixes, crustáceos, pães,margarinas e carnes. A cúrcuma quando expostas a uma temperatura acima de 75ºC tem o seu rendimento de óleo volátil comprometido. Isso condiz com estudos realizados com rizomas de cúrcuma onde as condições de secagem (temperatura, fatiamento, granulometria, etc.) influenciaram no rendimento e qualidade do óleo.
Em relação à atividade antioxidante, a cúrcuma foi a segunda colocada entre as espécies mais potentes. Constatou-se que o pigmento fenólico, curcumina, presente na cúrcuma é o responsável pelas propriedades antioxidantes. A cúrcuma também apresenta fins terapêuticos quando utilizada como tônico, aromático e estimulante de funções digestivas, ativando a função hepática, a secreção biliar e flatulência. Contamos também com a utilização da cúrcuma no tratamento de feridas, úlceras de decúbito, machucados e ferimentos em geral devido à sua ação antiinflamatória e cicatrizante. O consumo mundial da cúrcuma ainda não é conhecido, no Brasil ela tem pequena expressão econômica. Acredita-se que a Índia seja o país de maior produção e consumo da espécie.

Texto embasado nos artigos científicos: Cúrcuma: planta medicinal, condimentar e de outros usos potenciais;
Cienc. Rural vol.30 no.1 Santa Maria Jan./Mar. 2000

EXTRAÇÃO DE OLEORESINA DE CÚRCUMA (Cúrcuma longa L) COM CO2 SUPERCRÍTICO
Ciênc. Tecnol. Aliment. vol. 17 n. 4 Campinas Dec. 1997

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

WHEY PROTEIN OU PROTEÍNA DO SORO DO LEITE



As proteínas do soro leite, ou whey protein como são conhecidas, são extraídas da porção aquosa do leite, gerada durante o processo de fabricação do queijo. Essa parte era dispensada pela indústria de alimentos apesar de ser riquíssima em proteínas e lactose. A partir da década de 70 iniciou estudo relacionado a essas proteínas sendo descrita pelo Dr. Paavo Airola como, importante no tratamento e prevenção de flatulência, prisão de ventre e putrefação intestinal.
Atletas, praticantes de atividades físicas, pessoas fisicamente ativas e até mesmo portadores de doenças, vêm procurando benefícios nessa fonte protéica devido ao alto valor biológico com propriedades funcionais, além de conter alto teor de aminoácidos essenciais, especialmente os de cadeia ramificada.
Artigos comprovaram que quanto menor o intervalo entre o término do exercício e a ingestão protéica, melhor será a resposta anabólica ao exercício podendo apresentar um ganho significativamente maior de força e de hipertrofia muscular em relação a suplementação protéica 2 horas após a realização dos exercícios.

Vale salientar que a proteína do leite pode oferecer uma vantagem sobre o leite como fonte de cálcio, em pessoas intolerantes à lactose, uma vez que grande parte dos suplementos à base de proteínas do soro é praticamente isento de lactose e pelo fato dessa proteína apresentar percentual de gordura menor que 2%. Em uma série de estudos realizado por Layman ET AL, mostrou que a dieta com maior relação proteína/carboidrato são mais eficientes para o controle da glicemia e da insulina pós-prandial, favorecendo, dessa forma, a redução da gordura corporal e a preservação da massa muscular durante a perda de peso.
Através de estudos realizados por Toba et al em 2001, foi demonstrado que as proteínas do soro promovem a formação dos ossos em humanos, estimulando a proliferação e a diferenciação dos osteoblastos, aumentando a densidade mineral óssea e inibindo a reabsorção de cálcio. Há também estudos os quais comprovam que a Whey Protein Hidrolisada reduz significativamente a pressão sanguínea. Neste mesmo estudo ficou provado também a significativa elevação da concentração de HDL colesterol, redução da concentração de triagliceróis e diminuição do risco cardíaco.

Benefícios do Whey Protein:

Combinação ideal de aminoácidos para melhorar a composição corporal, melhora da performance atlética e o crescimento muscular;

Solúvel, fácil de digerir, altíssimo valor biológico, eficientemente absorvido pelo corpo e de gosto neutro, não interferindo no gosto de outros ingredientes e alimentos;
Sacia a fome mais rapidamente que outras fontes de proteínas e mantém a massa muscular (metabolismo alto);
Contém ingredientes bioativos como imunoglobulinas e lactoferrinas, que auxiliam na manutenção de um sistema imunológico saudável de proteína, o Whey fornece mais aminoácidos essenciais para o corpo, sem a adição de gordura e colesterol;
Ação antioxidante (aumenta os níveis de Glutationa – GSH);
Possui altas concentrações de BCAA e Glutamina;
Comparado grama-a-grama com outras fontes o Whey fornece mais aminoácidos essenciais para o corpo, sem a adição de gordura e colesterol;

Nesta postagem foram mostradas algumas características do suplemento Whey protein, no entanto estudiosos salientam: excesso de proteínas na alimentação pode aumentar o resíduo de ácidos na dieta, portanto é necessário uma indicação do nutricionista deste suplemento alinhado à uma boa alimentação para que este propocione o objetivo desejado e assim seja proporcionado uma qualidade de vida.


Referências:

HIRSCHBRUCH, M. D, Consumo de suplementos por jovens freqüentadores de academias de ginástica em São Paulo.
HARAGUCHI, F. K, Proteínas do soro do leite: composição, propriedades nutricionais, aplicações no esporte e benefícios para a saúde humana,.
KANTIKAS, M. G. L, Avaliação do uso de suplementos nutricionais a base de soro bovino pelos praticantes de musculação em academias da cidade de Curitiba – PR.

Alimentos Funcionais - SOJA -


A soja pode ser conceituada como “alimento funcional” e sua principal função é reduzir o risco de doenças crônico – degenerativas. Estudos realizados para conhecer os componentes da soja responsáveis pela prevenção de doenças, identificaram diversos compostos funcionais presentes como os fitoesterois, inibidores de proteases, o inositol hexafosfato, as saponinas, as isoflavonas, entre outros. As isoflavonas, também denominadas fitoestrógenos, têm atraído muita atenção entre esses compostos devido apresentarem atividades “in vitro” e “in vivo” compatíveis com os efeitos da soja na prevenção de doenças. A soja é também rica em proteínas, e estas comportam, com exclusividade, todos os nove aminoácidos essenciais que o corpo humano necessita e não consegue fabricar, precisando receber pela alimentação. Existem diferentes tipos de proteínas de soja: texturizadas, concentradas e isoladas. A principal diferença entre esses produtos está na concentração de proteína. As isoladas são as com os índices mais altos, superior a 90%, a concentrada possui pelo menos 65% de proteína e altos índices de fibras e a texturizada apresenta, no mínimo, 52% de proteína.
Esta leguminosa pode ser utilizada de forma preventiva e terapêutica no tratamento de doenças cardiovasculares, câncer (mama e cólon, principalmente), osteoporose, sintomas da menopausa, reduz colesterol e melhora o funcionamento dos intestinos.
A soja pode enriquecer nossas refeições de varias maneiras, pois além dela ser fonte de proteína completa, ela possui cerca de 30% de fibras solúveis e 70% de insolúveis e essas fibras são capazes de proporcionar saciedade e diminuir o aumento da glicose após as refeições, e é também fonte de minerais como ferro, potássio, cálcio, fósforo, zinco e vitaminas do complexo B. Essenciais para uma boa nutrição, pois ajudam o corpo a funcionar de forma adequada e a manter a saúde.
Antigamente no Brasil, havia uma baixa aceitação em relação à soja devido ao seu sabor e aromas desagradáveis, porém, nos dias de hoje, com o avanço da tecnologia alimentícia, sua aceitabilidade aumentou devido a qualidade sensorial. As indústrias alimentícias têm desenvolvido novos produtos cujas funções pretendem ir além do fornecimento de nutrientes básicos e da satisfação do paladar do consumidor.
Atualmente há uma grande variedade de produtos derivados da soja encontrado como "queijos", molhos, óleos, farinhas, sucos, "leite" e "iogurte", barras de cereal, sopas, sorvetes, creme de "leite", salgadinhos e até chocolate a disposição dos consumidores quem descobriram a importância desse alimento.

Receita: Patê de tofu com atum
· 1 tofu (250 g)
· 1 lata de atum ralado e escorrido
· 2 colheres (sopa) de azeite
· 1 dente de alho amassado
· 1 cenoura ralada
· 1 sachê de hondashi (tempero à base de peixe)
· 1 pitada de açúcar
· vinagre
· 1 colher de sopa de cheiro-verde picadinho
· Amasse bem o tofu e misture os demais ingredientes. Utilizar em sanduíches ou canapés.

Valor calórico total : 660 kcal
Rendimento: 18 porções
Valor calórico por porção: 37 kcal


Referências Bibliográficas:
1. BEHRENS, J.H.; SILVA, M.A.A.P. Atitude do consumidor em relação à soja e produtos derivados. Ciênc. Tecnol. Aliment. Vol. 24. nº 3. Campinas. Julho/Setembro 2004.
2. DIEGO, L.G., et al. Proteínas de soja, isoflavonas e prevenção de doenças cardiovasculares. Revista Nutrição em Pauta – a revista do profissional de nutrição. São Paulo. Ano 17. Número 95. Março/Abril 2009.
3. PHILIPPI, Sônia Tucunduva. A dieta do bom humor. São Paulo: Panda Books, 2006.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Tipos de Chás:

O chá é uma bebida amplamente utilizada, perdendo apenas para a água como a bebida mais consumida no mundo. O chá verde é rico em polifenóis, principalmente catequinas. Entre uma variedade de efeitos benéficos à saúde atribuídos ao consumo do chá verde, grande atenção tem sido focalizada no seu efeito na redução da gordura corporal. O chá preto é feito a partir da infusão de folhas processadas de Camellia sinensis, que é cultivada em mais de 30 países. São classificados em três categorias conforme o processo de fabricação (O procedimento que se estabelece depois de colhê-las determina a obtenção dos tipos de chá):fermentado (preto), não-fermentado (verde) e o semifermentado (oolong).
Estudos demonstraram que o chá verde tem efeito protetor contra diversos tipos de câncer e doenças cardiovasculares, possui propriedade antialérgica e antibacteriana, além de ser rico em minerais e vitamina K.
No chá verde, estão presentes, além das catequinas, outros compostos orgânicos, tais como cafeína e aminoácidos. A diferença entre o chá verde e o chá preto depende de quando as enzimas foliares são inativadas durante o processamento. Na fabricação do chá verde, as enzimas são inativadas imediatamente após a colheita das folhas. Portanto, a composição de polifenóis no chá verde tende ser semelhante a das folhas frescas. Na produção do chá preto, as catequinas são oxidadas enzimaticamente, gerando uma mistura complexa de polifenóis, constituída de teaflavinas, teasinensinas e tearubiginas.
A qualidade do chá verde é fortemente influenciada pelos componentes orgânicos e inorgânicos das folhas jovens e dos brotos, que funcionam como precursores e são alterados. durante a sua transformação (aquecimento) em substâncias que determinam o sabor.
A cor, o sabor e o aroma do chá verde estão direta ou indiretamente associados às catequinas; portanto, são os principais compostos que definem a qualidade do chá verde. O sabor adstringente e amargo do chá verde é devido principalmente a esses polifenóis. Aminoácidos livres são responsáveis pelo frescor e pela doçura da infusão do chá verde, além de contribuírem para formação de compostos voláteis responsáveis pelo aroma por reagirem com catequinas e açúcares solúveis durante o aquecimento. Dentre os alcalóides encontrados, destacam-se a cafeína por ser abundante e contribuir para o efeito estimulante e sabor, enquanto as clorofilas e a quercetina contribuem para coloração verde da infusão.
As diferentes teaflavinas conferem variados níveis de adstringência; catequinas, cafeína e aminoácidos também são importantes para o sabor. Cafeína, além de contribuir para efeito estimulante, forma complexo com teaflavinas, que modifica o sabor, adiciona frescor à bebida e contribui para formação de precipitado colorido quando a infusão do chá preto é resfriada.
Todavia, critérios precisos e eficientes para predizer a qualidade do chá preto a partir de folhas não foram estabelecidos.
Já se sabe que os teores de polifenóis e catequinas e a atividade da polifenoloxidase nas folhas estão relacionados com a qualidade do chá preto.
Outros elementos minerais acumulados por C. sinensis são K e Mg Mn, Ca, Zn, Cr e Ni além de Se e F sendo alguns destes essenciais para a saúde humana.




Referências :.
Salinas, Rolando D. Alimentos e nutrição: introdução a bromatologia 3º Ed. Porto Alegre:Artemed,2002.

Renata da Costa Lamarão; Eliane Fialho-Aspectos funcionais das catequinas do chá verde no metabolismo celular e sua relação com a redução da gordura corporal Rev. Nutr. vol.22 no.2 Campinas Mar./Apr. 2009

Juliana Domingues Lima; Paulo Mazzafera; Wilson da Silva Moraes; Reginaldo Barboza da Silva -Chá: aspectos relacionados à qualidade e perspectivas Cienc. Rural vol.39 no.4 Santa Maria July 2009 Epub Mar 06, 2009

Alimentos Funcionais - Probióticos -




Com o aumento na expectativa de vida da população, aliado ao crescimento exponencial dos custos médico-hospitalares, a sociedade necessita vencer novos desafios, através do desenvolvimento de novos conhecimentos científicos e de novas tecnologias que resultem em modificações importantes no estilo de vida das pessoas. A nutrição precisa se adaptar a esses novos desafios através do desenvolvimento de novos conceitos. Nesse contexto, os alimentos funcionais são conceitos novos e estimulantes.
Mas afinal, o que seriam os alimentos funcionais? É todo alimento ou ingrediente que, além das funções nutricionais básicas, quando consumido como parte da dieta usual, produz efeitos metabólicos, fisiológicos e/ou benéficos à saúde, devendo ser seguro para o consumo. Um alimento funcional pode ser classificado de acordo com o alimento em si ou conforme os componentes bioativos nele presentes, como, por exemplo, os probióticos, as fibras, os fitoquímicos, as vitaminas, os minerais, as ervas, os ácidos graxos ômega 3, além de determinados peptídeos e proteínas.
A definição de probióticos atualmente aceita internacionalmente é que eles são microrganismos vivos, administrados em quantidades adequadas que conferem benefícios à saúde do hospedeiro. A influência benéfica dos probióticos sobre a microbiota intestinal humana inclui fatores como efeitos antagônicos, competição e efeitos imunológicos, resultando em um aumento da resistência contra patógenos. Assim, a utilização de culturas bacterianas probióticas estimula a multiplicação de bactérias benéficas, em detrimento à proliferação de bactérias potencialmente prejudiciais, reforçando os mecanismos naturais de defesa do hospedeiro.
Dentre os microrganismos probióticos mais utilizados, destacam-se cepas de lactobacilos e bifidobactérias. O íleo terminal e o cólon parecem ser, respectivamente, o local de preferência para colonização intestinal dos lactobacilos e bifidobactérias. De modo geral, lactobacilos podem colaborar na digestão da lactose em indivíduos com intolerância a esse dissacarídeo, reduzir a constipação e a diarréia infantil, ajudar na resistência a infecções por salmonela, prevenir a “diarréia do viajante” e aliviar a síndrome do intestino irritável.
Bifidobactérias são conhecidas por estimularem o sistema imunológico e produzirem vitamina B, inibirem a multiplicação de patógenos, reduzirem a concentração de amônia e colesterol no sangue e ajudarem a restabelecer a microbiota normal após tratamento com antibióticos. Assim sendo, esses microrganismos são comumente utilizados em intervenções dietéticas que visam à melhoria da saúde dos indivíduos. O propósito da administração de produtos probióticos é resultar em microbiota intestinal balanceada, a qual, por sua vez, terá um impacto favorável sobre a saúde do consumidor. Os laticínios contribuem para a sobrevivência dos probióticos ao suco gástrico, por isso que eles são geralmente encontrados nos leites e seus derivados (iogurtes, queijos, etc), porém podem ser encontrados também em produtos não lácteos (derivados da soja).
Infelizmente, no caso de países como o Brasil, o acesso aos alimentos probióticos ainda é restrito às pessoas com maior poder aquisitivo, independentemente do nível de consciência em relação a um estilo de vida saudável.

Observação: Para garantir o efeito contínuo no organismo humano, os probióticos devem ser ingeridos diariamente.

Referências:

KOMATSU, T. R. et. al. Inovação, persistência e criatividade superando barreiras no desenvolvimento de alimentos probióticos. Rev. Bras. Cienc. Farm. vol. 44 no.3 São Paulo Julho/Setembro.2008

COPPOLA, M. M. et. al. Probióticos e resposta imune. Cienc. Rural vol. 34 no.4 Santa Maria Julho/Agosto.2004

SAAD, S. M. I. Probióticos e prebióticos: o estado da arte. Rev. Bras. Cienc. Farm. vol. 42 no.1 São Paulo Janeiro/São Paulo.2006

STEFE, C. A, et. al. Probióticos, prebióticos e simbióticos – artigo de revisão. Saúde & Ambiente em Revista, Duque de Caxias, v. 3, no.1, p. 16-33, Janeiro/Junho.2008

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Epidemia de Obesidade.


EPIDEMIA DE OBESIDADE

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) o fenômeno atual da obesidade é considerado uma doença epidêmica. Esta doença é um problema nutricional com componentes ambientais, comportamentais, socioeconômicos e genéticos. É resultante de uma ingestão desequilibrada de alimentos (consumo calórico excessivo comparado com o gasto energético) podendo ser definida em termos de aumento do peso corporal ou alternativamente como aumento da gordura corporal total.

RAÍZES HISTÓRICAS

Os primeiros hominídeos, ancestrais dos seres humanos, surgiram nas savanas da África há pelo menos 5 ou 6 milhões de anos. Conseguir alimento naquele tempo era uma tarefa árdua, que significava perseguir a caça, andar horas e horas à procura de árvores frutíferas e disputar com outros carnívoros a posse das carcaças de animais, encontradas na direção do vôo de aves de rapina. Depois, o sacrifício de carregar as provisões nas costas para dar de comer à família na caverna.

A ausência de métodos para conservação de alimentos e a convivência intima com o flagelo da fome, num mundo constantemente ameaçado por feras e catástrofes naturais, privilegiaram a sobrevivência dos indivíduos capazes de ingerir grande quantidade de calorias de uma só vez e de armazenar o excesso sob a forma de gordura, recurso essencial para enfrentar os períodos de jejum que certamente viriam.

Por essa razão nosso cérebro, órgão responsável pelo controle do apetite começou a ser moldado para defender o estoque de energia obtida por meio dos alimentos. Esse mecanismo desloca o equilíbrio da balança entre fome e saciedade para o lado da fome.


FOME X SACIEDADE

O ato de comer depende do equilíbrio de 2 forças opostas: fome e saciedade. Nas refeições conseguimos comer muito mais do que nossas necessidades diárias, pois o mecanismo da saciedade demora alguns minutos para entrar em ação, por isso devemos mastigar bastante os alimentos e dá uma pausa após esvaziar o prato, antes de ceder ao impulso de repetir a refeição rapidamente.

O cérebro “criou” a fome, instinto tão irresistível quanto a sede, quando o estômago fica vazio e a taxa de glicose no sangue cai a níveis muito baixos, o estimulo para ir atrás de alimentos aumenta até se tornar quase insuportável. Os mecanismos que são responsáveis pela sensação de fome e saciedade que regulam a ingestão de alimentos são: o hormonal (insulina, grelina e leptina), o metabólico (glicemia) e o neural (hipotálamo e outras regiões do sistema nervoso central).


O hipotálamo é uma região do cérebro onde se encontram os centros da fome e da saciedade. Quando as reservas nutritivas do organismo de um individuo caem abaixo do normal, o centro da alimentação no hipotálamo fica muito ativo e ocorre o aumento da fome; por outra lado, quando as reservas nutritivas são abundantes a pessoa perde a fome ( estado de saciedade).

Tanto as informações de fome como as de saciedade são transmitidas através de impulsos nervosos entre os neurônios no cérebro, envolvendo a participação de muitos neurotransmissores ( seretonina, noradrenalina, dopamina). E é sobre a transmissão neural que ocorre a atuação dos fármacos anorexígenos e sacietógenos, que abordaremos mais adiante.

A fome que sentimos resulta de um equilíbrio ajustado entre esse circuitos antagônicos, construídos e selecionados por nossos antepassados remotos com a finalidade de resistir à falta de alimentos, numa época em que as refeições eram alternadas com longos períodos de jejum.
O que representou sabedoria do cérebro para enfrentar a penúria deu origem ao flagelo da obesidade em tempos de fartura.

Como conseqüência: Comer em excesso é um processo passivo e fácil de realizar. Comer pouco é um processo ativo que exige determinação e força de vontade.



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

• Guia Pratico de Saúde de Bem-estar (Dráuzio Varella e Carlos Jardim).

• Programa de Desenvolvimento Profissional ao Farmacêutico Módulo I.

• www.jornaldaciencia.org.br acesso em 26 de agosto as 21hrs.

• O Cérebro Desconhecido (Helion Póvoa).